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    EFOMM, Entrevistas » segunda-feira, 2 de setembro de 2013 »
    Entrevista – Professor Hermann – CIAGA

    DSC03329É com grande prazer que a equipe do Jornal Pelicano traz a entrevista com o Professor e Engenheiro Químico Hermann Regazzi Gerk.
    Essa entrevista tem o objetivo de divulgar elementos do mundo mercante, a área de especialização do Professor Hermann —‒ sistemas fluido-mecânicos — e a imagem do aluno da EFOMM e futuro oficial da Marinha Mercante através da visão docente.
    Essa entrevista foi realizada com o apoio do aluno Armelin, orientando de Monografia do professor.

    1- Onde o senhor cresceu e qual a formação acadêmica do senhor?

    Nasci na cidade Cordeiro, no interior do estado do Rio de Janeiro. De lá fui para o colégio mais importante do Brasil na época, o Colégio Nova Friburgo, da Fundação Getúlio Vargas, onde convivi com pessoas de muitos lugares diferentes do país. Isso já  formou em mim desde a época de criança a ideia de que o Brasil é muito grande, muito diversificado. Ao contrário do que as pessoas pensam não me formei em Química, mas em Engenharia Química, com atuação na área conhecida como “Mecânica Mole”, onde se inclui a Mecânica dos Fluidos.

    2- Existe um aumento cada vez maior no interesse nas pesquisas da mecânica dos fluidos, devido à maior eficiência que ela traz a indústria e a redução dos custos. O senhor considera que o Brasil está investindo nessa área?

    Não tanto quanto deveria. Lá fora existe a especialização de engenheiro hidrodinâmico. Inclusive no filme sobre o navio Queen Mary II vemos a figura do engenheiro hidrodinâmico. No Brasil existe a necessidade de uma alta especialização na área. Você conversa com as pessoas, visita empresas, sites de empresas estrangeiras notadamente da França, Alemanha e dos países Nórdicos. Mas nota-se que falta a eles uma caixa de ressonância. Em poucos países se fala alemão ou francês na Europa. Falta a eles a caixa de ressonância. E essa ressonância está no Brasil e nós não sabemos disso.

    3- Como surgiu o a oportunidade para dar aula no CIAGA? E quando?

    No ano de 1996 havia um curso de navio químico onde o instrutor saiu e ficou acordado que as aulas seriam reiniciadas após o carnaval.
    Foi quando o saudoso e inigualável professor Chaves me descobriu em Cordeiro e insistiu que eu viesse.
    Então na segunda feira eu vim para “safar essa onça” e estou até hoje.

    4- Como surgiu o curso de Hidrodinâmica na EFOMM?

    Por imposição da IMO (Organização Marítima Internacional) foi criada a cadeira de Hidrodinâmica. A maior dificuldade seria preparar as aulas focando para navios, já que existe a Hidrodinâmica e a do navio faz parte dela. O grande segredo da matéria é criar um pensamento crítico. O navio não é um ser alienígena ou algo artístico puramente, o navio é uma obra de engenharia. Foi concebido, desenhado, projetado, construído, testado por engenheiros. Portanto, minha missão como engenheiro é explicar aos alunos tudo o que acontecesse com a hidrodinâmica do navio para saberem usar. Hoje em dia você tem navios extremamente sofisticados tecnicamente e navegando por canais quase cinquentenários, necessitando de gente capacitada.Watch Full Movie Online Streaming Online and Download

    5- Qual a principal diferença entre dar aula para o primeiro ano (professor de química) e para o segundo ano (professor de hidrodinâmica)?

    O primeiro ano é o despertar de vocações, você não pode minar as esperanças.
    A cabeça limpa e cheia de esperanças exige que você coloque ali coisas sadias, mostrar que ele, o aluno, tem um futuro.

    Já no segundo ano fica mais fácil porque o aluno já escolheu, optando pela área de Náutica ou pela área de Máquinas.
    Não existe a mais importante. O navio é um grande time, são apenas jogadores que jogam em posições diferentes, mas no mesmo time.

    6- Quais são os seus principais objetivos como professor?

    Eu não procuro ser um modelo, mas aquele que eu gostaria que fosse meu professor.
    O fato de ter um  pouco mais idade me faz ver que existe um choque de valores, e quem o cria em geral, é o mais idoso porque não consegue entender o cotidiano dos mais novos. Ele quer julgar o mundo pelos seus valores. O método de ensino atual não está errado, mas está inadequado em meios para os tempos modernos.

    7- Quais são as perspectivas do senhor para a Marinha Mercante e o Desenvolvimento Tecnológico?

    Eu vejo um grande futuro para a Marinha Mercante Brasileira, devido à extensão do nosso litoral, o tamanho da nossa população, pela nossa potencialidade e pelo que nós já produzimos. Além de ser o meio de transporte mais barato que existe.

    Em relação ao Desenvolvimento Tecnológico é preciso mudar a rotina do aluno brasileiro. É preciso acabar com a cultura do caderno.
    Você também não deve se deixar cegar pelo brilho da tecnologia. Em si mesma ela não é boa nem má, mas o importante é o fato de você conseguir absorvê-la, senão vai ser um mero usuário. É importante preparar os alunos para que eles possam entender as novas tecnologias,
    ou seja, Absorver, dominar e desenvolver.

    8- Para terminar a entrevista: quais as expectativas do senhor para as próximas turmas que ingressarão na EFOMM?

    Tenho grandes expectativas, confio muito no CIAGA. Há uma vantagem: A cada ano nosso trabalho se inicia, se desenvolve e termina.
    E vemos que a EFOMM se glorifica quando ao final de cada ano entrega ao país um grupo de jovens muito bem preparados nas áreas de Máquinas e Náutica. E se renova quando a cada ano chega um grupo de jovens inexperientes, temerosos, às vezes chorosos com saudade de casa,
    porém dotados de um grande potencial que deverá ser trabalhado. Poucas instituições podem fazer isso, se renovar e se glorificar a cada ano.

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    Alexandre Cherman, 33 anos, morador do Rio de Janeiro, bacharel em Astronomia, mestrado e doutorado em Física, astrônomo da Fundação Planetária do Rio de Janeiro e professor visitante do CIAGA (conferencista).

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